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Pesquisa revela que apenas 20% das rodovias do País são consideradas seguras

Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que metade das rodovias públicas brasileiras estão no pior índice de segurança

05/06/2026

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A CNT apresentou, nesta semana, a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, ferramenta interativa que analisa a capacidade da infraestrutura rodoviária brasileira de mitigar as consequências dos acidentes, caso ocorram. Atualizada com dados de 2025, a nova edição permite acompanhar a evolução do Índice de Perdão nas rodovias avaliadas pela CNT na Pesquisa CNT de Rodovias e comparar o desempenho da malha em relação ao levantamento anterior.

No momento em que o governo gaúcho cancela mais um leilão de concessões de rodovias do Estado por falta de interessados em administrá-las, tanto em decorrência das condições oferecidas quanto da oposição política ao modelo proposto de parcerias privadas, é oportuno prestar atenção no recorte desta pesquisa. O levantamento mostra que somente 20% da malha rodoviária do país apresenta alto índice de segurança para motoristas e passageiros em caso de acidente de trânsito, ou seja, com infraestrutura capaz de atenuar o impacto de eventuais sinistros.

Desenvolvido a partir de metodologia própria da CNT, o Índice de Perdão avalia o quanto as características físicas das rodovias podem influenciar na gravidade dos acidentes. Na prática, a ferramenta indica, para diferentes trechos rodoviários, o potencial de a infraestrutura atenuar ou agravar os impactos dos sinistros para os usuários das vias. Quanto menos graves forem as consequências, maior é o nível de perdão atribuído à rodovia.

Rodovias públicas x Rodovias concedidas
A atualização do Painel reforça a diferença estrutural entre as rodovias sob gestão pública e aquelas administradas por concessionárias privadas. Nas rodovias públicas, 50,0% da malha avaliada (42.052 km) apresentam Baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% (4.024 km) conseguem oferecer um alto nível de mitigação das consequências dos acidentes. Já nas rodovias concedidas, o cenário se inverte: 62,0% (18.670 km) registram Alto Índice de Perdão, ao passo que somente 2,4% (718 km) foram classificados como de Baixo Perdão.

Além disso, a segunda edição do estudo evidencia deterioração no desempenho das vias sob gestão direta do poder público. O percentual de rodovias públicas classificadas com alto perdão caiu de 6,2%, em 2024, para 4,8%, em 2025, o equivalente a uma perda de 1,4 ponto percentual. Por outro lado, as rodovias concedidas mantiveram o patamar de desempenho superior já observado nas edições anteriores do Painel, associado ao volume contínuo de investimentos em infraestrutura e segurança viária.

Desigualdades regionais
A análise territorial também reforça as desigualdades regionais da infraestrutura rodoviária brasileira. Os trechos com Alto Índice de Perdão concentram-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul, onde predominam as concessões. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem marcados por corredores com Médio e Baixo Perdão, inclusive em rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros.

Interativo e de fácil navegação, o Painel permite consultar os dados por meio de filtros customizáveis por região, Unidade da Federação, gestão, jurisdição e por rodovias. A ferramenta utiliza como base os dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, cruzados com as informações de acidentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e com o volume de tráfego disponibilizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT ), por meio do Plano Nacional de Contagem de Trânsito.

Metodologia aplicada
A metodologia da CNT baseia-se no conceito internacional das “rodovias que perdoam”, modelo de segurança viária voltado à construção e adequação de vias capazes de evitar sinistros ou minimizar a gravidade de suas consequências. Entre os elementos analisados estão dispositivos de contenção (defensas e barreiras), acostamentos, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e outros equipamentos de segurança passiva.

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